Dr. Bruno Moura

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Ortobiológicos (Células-Tronco)

Ortobiológicos (Células-Tronco)

Os tratamentos ortobiológicos utilizam substâncias obtidas do próprio corpo do paciente para auxiliar no controle da dor, na melhora da função e na modulação do processo inflamatório.

São especialmente indicados em condições como:

  • Artrose
  • Tendinites
  • Lesões de cartilagem
  • Algumas alterações ósseas

Essas terapias não substituem cirurgias quando elas são necessárias, mas podem adiar procedimentos invasivos, reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida quando bem indicadas.

Plasma Rico em Plaquetas (PRP)

O PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente. Após a centrifugação, ocorre a concentração das plaquetas, que liberam fatores de crescimento capazes de reduzir a inflamação e estimular a cicatrização dos tecidos.

Onde o PRP é mais utilizado

  • Artrose leve a moderada do joelho
  • Tendinites (patelar, aquileu, cotovelo do tenista, manguito rotador)
  • Lesões musculares e ligamentares

O que mostram os estudos

O PRP costuma apresentar melhor alívio da dor e melhora funcional quando comparado ao ácido hialurônico em muitos pacientes.

Protocolos com maior concentração de plaquetas tendem a ter melhores resultados.

O PRP leucócito-pobre (com menos células inflamatórias) geralmente é mais eficaz e causa menos desconforto após a aplicação.

👉 Atualmente, o PRP é considerado o ortobiológico com melhor nível de evidência científica para diversas condições ortopédicas.

Ácido hialurônico (viscossuplementação)

O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente nas articulações, atuando como lubrificante e amortecedor.

Quando é indicado

  • Casos iniciais de artrose
  • Pacientes que não podem ou não desejam outros procedimentos
  • Como complemento em alguns protocolos

Limitações

O efeito é predominantemente sintomático, com melhora modesta da dor.

Em geral, apresenta resultados inferiores ao PRP.

Apesar disso, é um tratamento seguro e com longa história de uso clínico.

Aspirado de Medula Óssea (BMA)

O Aspirado de Medula Óssea (BMA) é um procedimento autólogo no qual a medula óssea é coletada — geralmente do osso ilíaco — e aplicada diretamente no local da lesão, sem processamento adicional, como centrifugação ou filtragem.

O que o BMA contém?

Mesmo sem concentração, o BMA é biologicamente ativo e contém:

• Células mesenquimais e hematopoiéticas

• Plaquetas e megacariócitos

• Citocinas e fatores de crescimento

Esse conjunto de células e moléculas atua na modulação da inflamação e no estímulo à reparação tecidual.

Diferença entre BMA e BMAC

O BMA possui menor concentração de células progenitoras quando comparado ao BMAC (aspirado concentrado), pois não passa por centrifugação. Ainda assim, pode ser eficaz em situações específicas, especialmente quando se busca um procedimento mais simples.

O que influencia a qualidade do BMA?

A qualidade e o rendimento celular do BMA dependem de vários fatores:

• Técnica de coleta

• Volume aspirado

• Sítio de punção

• Idade do paciente

Técnicas aprimoradas de aspiração, como a reorientação da agulha, podem aumentar a quantidade de células obtidas, potencializando o efeito biológico do BMA. O ilíaco é o local preferencial de coleta, pois oferece maior número de células mononucleadas, especialmente em pacientes mais jovens.

Quando o BMA pode ser utilizado?

O BMA tem sido utilizado como tratamento adjuvante em:

• Fraturas com dificuldade de consolidação

• Lesões ósseas

• Lesões cartilaginosas

• Associação a enxertos ósseos

Nessas situações, o objetivo é estimular a osteogênese e a reparação tecidual.

Vantagens do BMA

• Procedimento mais simples

• Menor custo

• Facilidade regulatória

• Evita etapas de processamento

• Possibilidade de formação de coágulo biológico, que pode atuar como matriz natural para regeneração tecidual

Limitações e considerações

Apesar de resultados promissores, a eficácia clínica do BMA isolado ainda depende de mais estudos comparativos e de melhor padronização das técnicas de coleta e aplicação.

A escolha entre BMA ou BMAC deve considerar:

• Perfil do paciente

• Tipo de lesão

• Objetivo terapêutico

• Recursos disponíveis

• Evidências científicas atuais

Fração Vascular Estromal (SVF)

A SVF é obtida do tecido adiposo (gordura) e contém um conjunto de células com ação anti-inflamatória e moduladora da cicatrização.

Principais características

  • Pode promover melhora da dor e da função em casos de artrose
  • Alguns estudos sugerem maior redução da dor no curto prazo quando comparada ao BMAC
  • O procedimento envolve coleta de gordura, podendo gerar desconforto local

Assim como outras terapias celulares, ainda há grande variação nos protocolos, o que limita recomendações universais.

E quanto às células-tronco?

As células-tronco mesenquimais, obtidas da medula óssea ou do tecido adiposo, demonstram:

  • Melhora clínica da dor
  • Melhora da função articular
  • Perfil de segurança adequado

⚠️ No entanto:

  • Não há comprovação robusta de regeneração completa da cartilagem
  • Os resultados dependem da técnica, da fonte celular e da indicação correta

Por isso, o uso deve ser criterioso, individualizado e baseado em evidências científicas.

Segurança dos tratamentos

De forma geral, os ortobiológicos apresentam alto perfil de segurança.

Os efeitos adversos mais comuns incluem:

  • Dor local temporária
  • Inchaço leve
  • Sensibilidade no local da aplicação ou da coleta
  • Não há evidência consistente de:
  • Aceleração da artrose
  • Complicações graves quando realizados de forma adequada

Em resumo

  • PRP: melhor evidência científica para artrose leve a moderada e tendinopatias
  • BMAC e SVF: opções avançadas, com bons resultados em casos selecionados
  • Ácido hialurônico: opção segura, com efeito sintomático mais limitado
  • Células-tronco: promissoras, porém ainda com limitações científicas e regulatórias

📌 O sucesso do tratamento depende principalmente de:

  • Indicação correta
  • Estágio da doença
  • Avaliação médica especializada
  • Técnica adequada e acompanhamento

Cada paciente é único, e o melhor tratamento é sempre aquele individualizado, baseado em ciência e bom senso médico.